Corpos


Nas calçadas
distribuem-se corpos
e em túmulos
os odores dos egoístas
faz-se ouvir:
e tu, silencias a dor
chore sem barulho
que teus ouvidos
ouçam, somente eles.

Os pés se movem
Num mundo distante.
Do oposto lado
a solidão mortal
despetala a pele
e na ausência absoluta
mantém-se ainda vida.

E tu, que pensas?
Paisagem desvalida
Enfado do progresso
Que desmascara
Com mãos estendidas
Nossas bondades.

Sem palavra
e nome
Apenas inscrições soltas
nas calçadas
           Cujas mãos...
             Cujas mãos...
               Cujas mãos...

Apenas inscrições soltas
nas calçadas
Sem nome
E palavra.

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