Emana flor grotesca
A perfurar-me as mãos
E no hálito sombrio
Congela meus olhos.
Em tua taça goteja minha pele
Refugio-me através de sua boca
Para o éter invisível que me abraça.
Reduza o mundo a uma cela
E escrevo nas paredes os versos
Que em brechas me exalam.
No acréscimo contínuo das batidas
O silêncio percorre as unhas no papel
E em pasmo o corpo se esvai
No néctar de uma flor absorvida.
Emana flor grotesca
A perfumar-me as mãos
E agita meus sentidos
Como vento em fim de tarde.
Despetala uma a uma
Minha canção
E no silêncio extremo
Estilo seus lábios.
Pétala bela e frágil
Como o humano que debruça sobre ti
Apesar da aparente fortaleza
A puerícia forma que entre jardins poeta
E vencida pela flor adormece.
1 comentários:
Parabéns colega, amei seu blog. Não sabia que você é um excelente poeta.Gostei muito. Parabéns.
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