Ao Belo



Iludo-me com a sereia na pedra
Que numa voz divina em sons de flauta
Torna-me louco
Diante do belo, desprotegido,
Lanço-me ao mar
E possuído de incertezas
Contemplo com rosto descorado
O admirável.

Só em ti, beleza, há sentido
E na oculta presença me explica
Quando fluis acima dos nomes
Em disfarce natural dos deuses
Máscara abissal de tudo que almejo.

Olhares que ofuscam os filósofos
E entre luzes esconde-se na
Penumbra do amor
O ilógico incomodo que nos abate.

Em ti, beleza, não há sentido algum
Como não há no eterno universo
Que se move
E na planta que cresce no quintal.

O insuportável cotidiano amplia-me
A estatura de criança
Que se lambuza numa ânsia imatura
E que transita entre quedas e afagos.











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