flor vermelha
na calçada
despetala o corpo
À beira do rio
a ponta do dedo n'água
a lua molhada dança
cidadezinha triste
a canção da chuva
baila os pássaros.
O gato
sonolento
apreende o tempo
O sol goteja o corpo
adiando a noite
enquanto a alma boceja
Por trás da vidraça
o céu cortinado
chora.
O céu negro
piscou para mim
A lua era minguante.
O vento ondeia o galho
enquanto o pássaro surfa
cortando as manhãs
A rua triste
curvas dedicadas
ao bem-te -vi
Ainda é inverno.
Saudades das tardes tristes
de amor
Sinto-me reduzido
ao quintal da minha
infância, lá tudo não era.
O berço ainda quente.
Caminho e lápide...
Bendita poesia!
Na revoada
os galhos vibram em asas
nasce o sol.
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